A quarta sessão do ciclo de Webinares CT Luso, dedicada ao tema “Saúde Pública e Epidemiologia”, decorreu online no dia 26 de março, reunindo participantes de vários países lusófonos para debater os principais desafios neste domínio.
A sessão foi moderada por Célia Ventura, Investigadora do Departamento de Genética Humana no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e contou com a intervenção de Sérgio Chicumbe, Investigador Sénior do Instituto Nacional de Saúde de Moçambique e Diretor Nacional Formação de Profissionais de Saúde do Ministério da Saúde de Moçambique.
Ao longo da sua apresentação, centrada na experiência moçambicana, Sérgio Chicumbe destacou o papel da saúde pública como um esforço coletivo orientado para garantir condições sociais, ambientais e comportamentais que permitam às populações atingir melhores níveis de saúde. Sublinhou ainda que a promoção da saúde exige uma abordagem multissetorial, baseada na articulação entre diferentes áreas e instituições.
A epidemiologia foi apresentada como um instrumento central neste processo, permitindo analisar padrões de distribuição das doenças, identificar fatores de risco e apoiar a definição de políticas e intervenções mais eficazes. O orador referiu a importância de métodos analíticos e de recolha sistemática de dados, essenciais para uma resposta informada aos desafios em saúde.
Num contexto global cada vez mais interligado, Sérgio Chicumbe alertou para o impacto da mobilidade e das dinâmicas de globalização na propagação de doenças, sublinhando que ameaças locais podem rapidamente adquirir dimensão internacional.
Neste enquadramento, o especialista chamou a atenção para o aumento do número e da frequência de eventos de saúde pública, sobretudo no continente africano, incluindo surtos de doenças infecciosas, emergências sanitárias e contextos em que é necessário intensificar a monitorização de riscos e sinais precoces de doença. Este cenário resulta de vários fatores conjugados, como a crescente mobilidade populacional, as alterações climáticas, a urbanização acelerada e fragilidades nos sistemas de saúde, que facilitam a propagação de doenças. Entre estas, a malária continua a assumir particular relevância, mantendo-se como uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em vários países africanos, apesar dos progressos registados nos últimos anos. Neste contexto, torna-se essencial reforçar os sistemas de vigilância epidemiológica, melhorar a capacidade de resposta precoce e promover uma cooperação mais estreita entre países, de forma a prevenir, detetar e conter ameaças à saúde pública de forma mais eficaz.
A sessão terminou com um momento de debate, que permitiu aprofundar algumas das questões abordadas e reforçar a importância da partilha de conhecimento e experiências no espaço lusófono, numa lógica de aprendizagem conjunta e de fortalecimento dos sistemas de saúde.