CT Luso promove reflexão sobre a equidade no acesso à inovação em saúde

CT Luso promove reflexão sobre a equidade no acesso à inovação em saúde

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No âmbito do ciclo de webinars do CT Luso, realizou-se, no passado dia 25 de junho, a sétima sessão dedicada ao tema "Equidade no Acesso à Inovação em Saúde", reunindo participantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e de Portugal para uma reflexão sobre os desafios éticos, sociais e científicos associados ao acesso equitativo à inovação em saúde, contando com 70 participantes online. 

A sessão contou com a presença da consultora do projeto CT Luso, Maria Alexandra Ribeiro, foi moderada por Joana Morais, Diretora-Geral do Instituto Nacional de Investigação em Saúde de Angola, e teve a participação de José Miguel Diniz, investigador e especialista em políticas de saúde e transformação digital, que conduziu uma apresentação centrada na relação entre equidade, inovação e inteligência artificial.

Durante a apresentação, José Miguel Diniz sublinhou que a equidade no acesso à inovação não depende exclusivamente do desenvolvimento tecnológico, mas sobretudo da capacidade de compreender as necessidades específicas das diferentes populações. Defendeu que as desigualdades em saúde resultam de múltiplos determinantes — sociais, económicos, ambientais e demográficos —, sendo essencial que as políticas públicas, a investigação e o desenvolvimento de novas tecnologias tenham em consideração essa diversidade.

O conferencista destacou ainda que a utilização crescente de ferramentas de inteligência artificial na saúde exige uma validação rigorosa junto das populações a que se destinam. Alertou para o risco de os modelos reproduzirem ou agravarem desigualdades quando são desenvolvidos com dados que não representam adequadamente todos os grupos populacionais, ilustrando esta questão com exemplos de aplicações clínicas já utilizadas internacionalmente.

Ao longo da sessão, foi igualmente defendida a necessidade de integrar indicadores de equidade no planeamento dos sistemas de saúde, promovendo uma caracterização mais detalhada das populações e dos seus determinantes de saúde, de forma a orientar intervenções mais justas, eficazes e adaptadas às diferentes realidades.

Na conclusão da sua intervenção, José Miguel Diniz salientou que a equidade deve ser assumida como um objetivo estruturante das políticas de saúde, lembrando que a inovação só produz verdadeiro impacto quando é acessível e relevante para todas as pessoas, independentemente da sua condição social, económica ou geográfica.

A sessão terminou com um período de debate entre os participantes, reforçando a importância de continuar a promover espaços de partilha e reflexão sobre os desafios da inovação em saúde nos países de língua portuguesa.

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