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CT-Luso abre ciclo de webinares com debate sobre soberania alimentar

O Projeto CT-Luso iniciou o seu novo ciclo de webinares com uma sessão dedicada ao tema “A importância da soberania alimentar para um desenvolvimento sustentável”, realizada no dia 19 de novembro, em formato online. 

A sessão contou com a presença do Embaixador da Guiné-Bissau acreditado em Portugal, Artur Silva, que sublinhou a relevância desta temática para a saúde das populações e para os países da CPLP. A coordenadora do Projeto CT-Luso e moderadora do Webinar, Maria do Céu Patrão Neves, recordou que foi precisamente o Embaixador quem, no Simpósio Internacional Lusófono realizado em setembro passado na Ordem dos Farmacêuticos, lançou o desafio de dedicar um webinar a este tema. 

O orador convidado, Francisco Sarmento, responsável da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em Portugal, sublinhou o papel central da alimentação na saúde pública e no equilíbrio dos sistemas agrícolas. 

Na sua intervenção, traçou uma análise histórica e crítica do sistema alimentar global, explicando como a evolução tecnológica, a liberalização do comércio agrícola e as mudanças socioeconómicas alteraram profundamente a forma como o mundo produz e consome alimentos.

“O aumento da produção global trouxe mais alimentos, mas nem sempre maior valor nutricional”, afirmou, acrescentando que a proliferação de produtos ultraprocessados e a perda de diversidade alimentar têm contribuído para doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, anemias e vários tipos de cancro, entre outras.

Francisco Sarmento sublinhou que a alimentação não é apenas uma questão de produção agrícola, mas de cultura, identidade e sustentabilidade. “Trabalhar sobre a comida que comemos é trabalhar sobre a nossa cultura”, afirmou.

O responsável da FAO em Portugal abordou também o impacto das alterações climáticas, que “não conhecem fronteiras” e afetam de forma desigual todos os sistemas agrícolas, considerando que será necessário aprofundar estratégias coletivas para mitigar riscos climáticos e reforçar a resiliência das comunidades rurais.