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Webinar CT Luso: Ética, integridade e responsabilidade na investigação em saúde

A segunda sessão do ciclo de Webinares CT Luso decorreu online a 29 de janeiro e foi dedicada ao tema “Investigação Clínica e Não Clínica: Metodologias Científicas e Integridade Profissional. Boas Práticas Clínicas. O Papel das Comissões de Ética”, com foco nos princípios científicos e éticos que orientam a investigação em saúde.

Moderada por Esperança Sevene, líder científica do Projeto CT-Luso, a sessão contou com a intervenção de Susana Magalhães, professora auxiliar da Universidade Fernando Pessoa e coordenadora da Unidade de Conduta Responsável em Investigação do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), da Universidade do Porto, que destacou o papel das boas práticas clínicas, da integridade profissional e das comissões de ética na promoção de uma investigação rigorosa, transparente e responsável.

Sob o mote “O lugar da ética na comunidade científica: diálogos que fazem a diferença”, Susana Magalhães defendeu que a integridade científica é essencial para garantir a credibilidade da investigação e a relação da ciência com a sociedade. A propósito de uma reflexão da académica Sheila Jasanoff, a oradora lembrou que grande parte da nossa vida quotidiana depende da confiança em desconhecidos.

Susana Magalhães

A confiança, sublinhou, não se constrói de forma isolada. A promoção da ética e da integridade não é uma responsabilidade exclusiva do investigador no laboratório, mas envolve equipas de investigação, instituições, financiadores, revistas científicas e editoras, sendo determinante o papel das organizações na criação de uma cultura de investigação responsável.

Falhas de integridade podem estar associadas a ambientes institucionais frágeis, marcados por financiamento insuficiente, precariedade laboral e modelos de avaliação excessivamente centrados na produtividade. Embora erros honestos façam parte do processo científico, atos que representem desvios significativos das práticas aceites, de forma intencional, consciente ou imprudente, não são aceitáveis.

Na fase de debate, na sequência de uma questão da coordenadora do projeto CT Luso, Maria do Céu Patrão Neves, Susana Magalhães enquadrou o aumento da sinalização de más práticas num contexto de profunda transformação da investigação científica. O crescimento do número de investigadores, o aumento do financiamento, a pressão para publicar e o volume cada vez maior de artigos científicos, agravado pelos desafios colocados pela inteligência artificial, contribuem para um cenário mais complexo, em que existem também mais mecanismos de deteção e denúncia. O aumento de casos identificados de falta de integridade resulta, assim, deste conjunto de circunstâncias, mais do que de um simples agravamento dos comportamentos individuais.

Perante este cenário, a oradora defendeu que combater as más práticas exige mais do que códigos e regulamentos. A formação contínua e a criação de espaços de reflexão são essenciais, mas devem ser acompanhadas por uma mudança que ocorra de cima para baixo e de baixo para cima. Todos os atores do sistema têm responsabilidades, mas sem uma transformação estrutural nos modelos de financiamento da investigação, nos critérios de avaliação dos investigadores e na cultura institucional, a capacidade de ação individual permanece limitada.