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Webinar: CT Luso promove reflexão sobre investigação biomédica e medicinas tradicionais
No âmbito do ciclo de webinars do CT Luso, realizou-se, no dia 30 de julho, uma sessão dedicada ao tema “Investigação Biomédica e Medicinas Tradicionais”, que reuniu cerca de meia centena de participantes de vários países lusófonos e especialistas de Portugal, Angola e Moçambique para uma reflexão sobre a valorização do conhecimento tradicional e a sua articulação com a investigação científica, a segurança e a inovação em saúde.
A sessão foi moderada por Olga Silva, Professora de Farmacognosia, Plantas Medicinais e Fitoterapia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e Presidente do Conselho para a Cooperação da Ordem dos Farmacêuticos.
O webinar contou com as intervenções de Raquel Matavele Chissumba, Diretora-Geral do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Etnobotânica de Moçambique; Graça Cumbi, Chefe de Departamento na Direção Nacional de Medicina Tradicional e Alternativa do Ministério da Saúde de Moçambique; e Isabel Margareth Malungue, Chefe do Departamento de Farmacovigilância, Tecnovigilância e Ensaios Clínicos do Ministério da Saúde de Angola.
Isabel Margareth Malungue salientou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Investigação em Saúde na análise das plantas utilizadas pela população, nomeadamente na identificação dos seus princípios ativos, na avaliação da atividade antimicrobiana e no controlo de eventuais contaminações dos produtos comercializados. Destacou ainda a importância de reforçar a investigação científica, a farmacovigilância e os mecanismos de controlo da qualidade, referindo que a autoridade reguladora angolana se encontra a preparar regulamentação específica para os remédios tradicionais e para a investigação biomédica neste domínio.
Graça Cumbi apresentou o enquadramento político e regulamentar da medicina tradicional em Moçambique, sublinhando que os projetos de investigação devem ser sujeitos a avaliação ética e que a recolha de plantas e conhecimentos para fins científicos ou comerciais exige o consentimento prévio das comunidades. Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios relacionados com o financiamento, a escassez de recursos humanos qualificados e a necessidade de aprofundar redes de investigação e projetos conjuntos capazes de transformar o conhecimento existente em produtos seguros, eficazes e devidamente regulamentados.
Raquel Matavele Chissumba centrou a sua intervenção na segurança e na bioatividade das plantas utilizadas nas terapias tradicionais, complementares e integrativas em Moçambique. Referiu que cerca de 70% da população moçambicana recorre à medicina tradicional e destacou a importância de a sua integração nos cuidados de saúde ser sustentada por evidência científica. A oradora apresentou resultados de estudos sobre intoxicações associadas a plantas medicinais, avaliações laboratoriais da toxicidade de diferentes espécies e o desenvolvimento de métodos de análise mais acessíveis e adaptados aos recursos disponíveis no país.
A sessão, amplamente participada pelo píublic, procurou, assim, aprofundar o papel das medicinas tradicionais nos sistemas de saúde dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, destacando a importância da investigação biomédica para a avaliação da qualidade, segurança e eficácia das práticas e dos produtos tradicionais. Foram igualmente abordados os desafios associados à integração destes conhecimentos nas políticas de saúde, à proteção dos saberes tradicionais e ao desenvolvimento de modelos de investigação que respeitem os contextos culturais e as necessidades das comunidades.